Thammy diz que Igreja tem que aceitá-lo como padrinho de bebê

Thammy Miranda, filho da ex-dançarina Gretchen, causou polêmica em suas redes sociais. Ele, que é transgênero, publicou uma foto em seu Instagram com sua mulher e um bebê, que é filho de um casal de amigos. Thammy foi convidado com sua namorada para serem padrinho e madrinha de batismo da criança, respectivamente. O que gerou questionamentos dos seguidores.

Thammy deseja ser padrinho de bebê.

Um dos que acompanharam perguntou a Thammy como ele iria fazer para conseguir permissão da Igreja Católica para ser padrinho, já que nasceu no sexo feminino e agora é um homem trans: “É um afilhado tradicional batizado na Igreja Católica? Se for, conta pra gente qual igreja aceitou com bons olhos realizar esse batismo. Precisamos falar sobre isso! Tenho essas dúvidas e hoje em dia só encontro igrejas preconceituosas que até filhos de mães solteiras se recusam a batizar”, questionou uma seguidora.

Thammy respondeu dizendo que, por possuir todos os seus documentos como sendo do sexo masculino, já que conseguiu alterar seus registros civis para o gênero no qual se identifica, a Igreja Católica não poderia negar de alguma forma que ele fosse padrinho da criança: “Sim. Hoje com a documentação que eu tenho, no caso, tudo no masculino, são obrigados a aceitar”, afirmou.

A resposta foi criticada por parte dos cristãos mais conservadores, que classificam a identidade de gênero como uma “ideologia”, que visa “destruir os valores cristãos”. Para a corrente médica e psicológica majoritária, a identidade de gênero é um problema real, onde a pessoa não se identifica com o corpo no qual nasceu, e por isso merece ser tratada como se sentir mais confortável, para evitar sofrimentos que podem levar à morte da pessoa. Para a jurisprudência dos tribunais brasileiros, inclusive do Supremo Tribunal Federal (STF), a identidade de gênero deve ser respeitada para todos que não se sentirem dentro do corpo e condição que nasceram, sob pena de violação ao princípio constitucional e internacional de dignidade da pessoa humana.

A discussão é bastante acalorada, por todos os polos contras e prós, mas é certo que pelo menos o debate começou a acontecer na sociedade brasileira e mundial como um todo, o que deve culminar em uma saída que respeite, tanto a dignidade de ser quem se deseja ser, quanto de crer na fé que também se deseje crer. Pelo menos é o que esperamos.

Tadeu Ribeiro
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