Análise: “Tetelestai” mostra por que o Diante do Trono ainda é referência no gospel

tetelestai capa

O Diante do Trono, maior ministério cristão do Brasil, lançou recentemente seu mais novo CD: Tetelestai, que significa “está consumado”. O álbum vêm sendo bem recebido pelo público, liderando o TOP 10 de CDs mais vendidos deste atual período.

O álbum funciona como uma mescla do que já deu certo no Diante do Trono e novidades que vieram pra fazer uma diferença positiva. Os pontos que podem ser destacados são:

1) O número de músicas, totalizando 14, sem aquelas canções extremamente grandes, como “Me ama”, e que são um empecilho para serem tocados em alguns lugares, como rádios e igrejas. Em “Tetelestai” as canções já vieram com durações médias de 5 minutos, com exceção da primeira, que possui mais de 12 minutos, mas que em contra-partida é um medley que abriga 4 canções.

2) Menos regravações do que o “Tu Reinas”, que é feito quase todo de canções antigas. Neste há algumas, mas que além de estarem bem alocadas com a temática do álbum, não soaram repetitivas. E pelo fato de apresentar muitas músicas inéditas, fica gostoso de se ouvir. Destaque para “À sombra do Altíssimo”, sucesso do DT3 Águas Purificadoras, gravado em 2000 pelo grupo, o novo arranjo caiu como uma luva.

3) Os arranjos estão impecáveis. As músicas de adoração e de júbilo foram bem arranjadas pelos produtores musicais Vinicius e Jarley. Ponto forte para “A Batalha é do Senhor”, feat. de Ana Paula Valadão e André Valadão, que possui uma letra ótima e fácil de memorizar, além de ser bastante agitada. Os instrumentais típicos de danças judaicas estão fortemente implícitos no álbum, sem se tornar algo chato.

4) Os espontâneos, marca do Diante do Trono desde os primeiros CDs, também foram bem ministrados por André e Ana Paula. Com destaque para o espontâneo de “Tetelestai”, pois é inegável o valor e simbologia presentes em entoar nos céus das terras judaicas, berço do cristianismo, que Jesus consumou o plano da salvação, e está vivo. O que poderia ter mudado um pouco foi a repetição excessiva de frases e trechos, os conhecidos “mantras gospel”. Um corte pela metade nas repetições poderia ter deixado o álbum ainda mais dinâmico, mas fora isso, nada a reclamar.

5) As recitações de trechos bíblicos caiu muito bem também, tanto o Salmo 91, recitado por Ana Paula, quanto a canção “Eu sou”, que é composta por vários trechos literais da Bíblia, interpretada por Israel Salazar. Vale ressaltar, inclusive, que a interpretação do Israel ficou muito suave, assim como a melodia, passando um sentimento de paz a quem escuta.

6) A música-tema não poderia ser outra. Certamente, “Tetelestai” é a melhor faixa do álbum, com uma mensagem forte e inspiradora, trazendo uma mensagem de conforto pelo preço que já foi pago e de adoração, pelo amor que Cristo teve em pagar o preço por nós: “Eu o adoro, eu o amo, Jesus Cristo, único e suficiente Salvador, meu Salvador!”. A ponte é a parte mais forte da canção, que traz a mensagem do “Tetelestai” (“Está consumado!”), e que obteve por parte da Ana uma atenção maior na sua interpretação.

7) A disposição das músicas foi cuidadosamente pensada. O álbum começa introduzindo o Cristo, abrindo o caminho de sua chegada, com músicas como “Salmo 24” e “Deus de Israel”. Depois, conta-se sobre a afirmação de que Jesus é o Messias, o enviado de Deus, com a música “Eu Sou”. Após a divindade de Cristo ser revelada, Ele é levado ao calvário, consumando o plano da salvação, tirando o pecado do mundo, pagando pelo preço que era nosso, como diz em “Tetelestai” que dá nome ao álbum. O plano foi consumado, mas para se efetivar era necessária a ressurreição do Cristo, como Ele havia prometido que faria, e “Ressuscitou” além de atestar que Ele está vivo, zomba da morte: “Onde está ó morte, a tua vitória?”, uma referência a  1 Coríntios 15:55. E para fechar o álbum, a igreja pede para que Jesus, que subiu aos céus, volte para buscá-la, sua noiva. Aqui, a regravação de “O Espírito e a noiva dizem: Vem!”, gravada originalmente também em 2000, assim como “À sombra do Altíssimo”, no álbum “DT3 Águas Purificadoras”, veio a calhar, encerrando assim um dos melhores álbuns do ministério até hoje.

Em suma, para quem curte o som do Diante do Trono o álbum é um prato cheio. Muita adoração, letras profundas, mensagem muito rica, interpretações bem colocadas e uma produção muito bem pensada. Desde o trabalho “Príncipe da Paz” não víamos uma produção tão marcante quanto essa do Diante do Trono. Ana Paula Valadão e sua equipe têm muito o que comemorar, o trabalho ficou muito bem produzido e ótimo de se escutar, em qualquer ocasião. Recomendo!

E vocês, o que acharam do álbum? Comente!

Tadeu Ribeiro
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