Bruna Marquezine fala sobre a questão do aborto: “Quem sou eu pra julgar o outro?”

Engajada em um trabalho junto a crianças refugiadas e carentes no Brasil há dois anos, Bruna Marquezine acredita que o momento atual da sociedade é importante para fazermos debates e avanços necessários em prol da diversidade e do respeito.

A atriz esteve presente no desfile da coleção Paula Raia para a Riachuelo, que botou na passarela um casting de modelos marcado pela heterogeneidade. Lá ela conversou com o UOL sobre a importância de representatividade na mídia e sobre aborto, logo após a aprovação da PEC 181, conhecida como “Cavalo de Troia”, que pode criminalizar o procedimento mesmo em caso de estupro no país.

“O que eu acho que falta no mundo hoje é empatia. Tento sempre me colocar no lugar do outro. Não tive nenhum caso de aborto na minha família e nunca vivi isso [de perto]. Então não sei o que leva uma mulher, em que condições ela se encontra para desejar abortar. Para mim, filho é uma bênção. Mas quem sou eu para julgar o outro? Acho que falta respeito com a decisão do outro, com a vida do outro, o corpo do outro. Sou a favor de respeitar o próximo”, afirmou Bruna.

A atriz ainda revelou que o tema é difícil para ela. “É uma questão que, para mim, é conflituosa porque sou cristã e o meu maior sonho é ser mãe. Fico pensando que eu não conseguiria. Mas o outro talvez precise. É uma questão em que fico muito dividida. E se for um estupro? Eu não sei o que eu faria. Então como vou julgar a decisão do outro? Não tenho uma resposta certa para isso”, explicou.

Com 23,4 milhões de seguidores no Instagram, Bruna defende que as redes sociais têm um papel vital na conscientização a respeito de pluralidade. E ela espera que este debate tenha impacto direto no futuro dos filhos que terá.

“É tão importante, tão genial, tão legal que isso esteja acontecendo. Acho que isso já devia ter acontecido há muito tempo, mas, não vamos reclamar. Que bom que está, [mesmo] devagar ainda. Um dos meus maiores sonhos é ser mãe. E quando eu tiver uma filha, eu quero que ela se sinta representada por alguém, quero que ela tenha ídolos que a representem de verdade, que ela possa se ver no outro”.

“É muito importante poder proporcionar isso para as pessoas, principalmente através da arte. É a maneira mais fácil de tocar o outro. Ver a Iza e a Pabllo na capa de uma revista… Para quantas meninas e meninos isso não é importante?”, indagou.

(UOL)

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