Cantor sai do gospel e se lança como drag queen: “Lutei muito, mas Deus me fez assim”

Sem muita fama no cenário da música gospel, o cantor Lucas Fernandes já tinha gravado dois CDs, mas não conseguia emplacar nenhum sucesso. De família evangélica, como muitos jovens, tentou uma carreira fazendo apresentações em igrejas. Conseguiu algum espaço e até ganhou prêmios em festivais de pouca expressão.

Contudo, estava insatisfeito. No último fim de semana, ele resolveu assumir sua homossexualidade e passou a usar o nome artístico de Lucas Miziony. Seu novo trabalho é de música pop secular e tem o título de “Homem ou Mulher”. A capa mostra o jovem de 23 anos em “duas versões”. Na imagem à esquerda, é homem, já na direita, está montado como drag queen.

Ex-membro da Assembleia de Deus de São Paulo, ele se assumiu homossexual há um ano. Falando ao site UOL, ele afirmou que sua inspiração nunca foram cantores gospel: “Minha referência sempre foi a Beyoncé. Também gosto de Anitta e Ludmilla, mas, quando apareceu a Pabllo [Vittar], me apaixonei imediatamente. Percebi onde eu poderia chegar”.

Decidido a quebrar o preconceito, ele confessa: “Eu vivia com uma máscara. Agora quero mostrar que sou uma pessoa como qualquer outra”.

Lucas ainda se considera religioso e diz que faz orações, pois tem “fé inabalável”. Sua pretensão é servir de inspiração para jovens evangélicos que passaram pelo mesmo conflito interno se assumam. Com uma visão mais liberal, argumenta que não há motivo razoável que impeça a religiosidade e homossexualidade de andarem juntas.

“Não quero generalizar, mas na igreja existe muita gente sofrendo porque não pode se assumir. Tem gente que tem medo de perder a carreira, a posição. Muitos fazem escondido e, no culto, dizem que não pode fazer porque é pecado”, defende, acrescentando que já ficou com um pastor conhecido.

Depois que passou a viver como drag queen, ele vem recebendo uma enxurrada de mensagens nas redes sociais, e a maioria em tom elogioso. Insiste também que “muitos homens jovens da igreja estão vindo dizer que estou servindo de exemplo. Fico feliz”. Mas também há “quem lamente, quem diga que Deus não quer isso para minha vida, que eu não sou crente de verdade, que eu só quero aparecer. Eu juro que tentei. Lutei muito contra mim para chegar até aqui. Mas Deus me fez assim, e vou morrer assim.”

(Gospel Prime)