“Era uma pastor abençoado, fiquei decepcionada”, diz avó de menino de 13 anos assediado

“Eu fiquei muito decepcionada. A gente tinha esse homem como um pastor decente, uma pessoa muito abençoada”, diz a avó do menino de 13 anos que foi assediado por um pastor evangélico em Curitiba, Célia Becker. O homem era professor de música do garoto e foi preso em flagrante, no bairro Pinheirinho, após uma troca de mensagens pelo celular, nesta terça-feira (26).

O delegado Rinaldo Ivanike, responsável pelas investigações, afirma que o homem já havia tentado violentar o garoto antes da troca de mensagens. A conversa por celular durou cerca de duas semanas, afirma a polícia. Veja a imagem abaixo:

O menino mora com os avós e os avisou após estranhar o conteúdo das mensagens. Foi então que a família decidiu procurar a polícia e, orientados por investigadores, eles passaram a responder às mensagens como se fossem o menino até conseguir armar um encontro para que o homem fosse preso.

“Não foi muito fácil, não. Mas eu tive que fazer esse esforço para que pudéssemos chegar até o momento de dar o flagrante nele. Eu recebi várias mensagens nojentas, fotos (…). E ele pediu bastante pra mandar fotos pra ele, fazer vídeos”, argumentou a avó. Ela disse ainda que o pastor enviou várias imagens nu.

Durante o depoimento, o pastor negou ter assediado o garoto, mas disse estar “arrependido”.

Como a família conheceu o pastor
Célia contou ainda que a família conheceu o religioso na igreja e que ele se aproximou do garoto através das aulas de música. Segundo o avô Luiz Carlos Becker, o homem se ofereceu para dar as aulas.

“Me senti muito mal. Meu chão caiu”, acrescentou a avó. Ela disse ainda que a família jamais imaginava que a situação pudesse acontecer.

Pais devem ter a atenção redobrada
O delegado ressalta a importância do acompanhamento dos pais à rotina dos filhos, principalmente na internet. “[Ressalto] a importância dos pais verem os que os seus filhos estão fazendo. Acompanhar tanto os estudos como essas redes sociais, internet, celulares. Foi o que possibilitou a elucidação desse crime. Sabe Deus o que teria acontecido com essa criança se os pais não tivessem visto”, comenta.

A psicóloga Daniela Prestes também reforça a importância da comunicação entre pais e filhos. “Deve ser um processo construído desde cedo. Além de orientar, os pais devem se colocar para ouvir as crianças e adolescentes”, explica.

“Tudo aquilo que eles falam deve ser validado, averiguado”, acrescenta. Conforme a psicóloga, muitas vezes, os filhos tentam se expressar, mas os pais não levam a sério. “Ainda que tenha um pouco de fantasia, é importante escutar sempre”, afirma.

O homem segue preso no 13º Distrito Policial de Curitiba e foi autuado pelo crime de aliciamento de criança ou adolescente. A pena, neste caso, varia de 1 a 3 anos de reclusão, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)

(G1)