Filme de Edir Macedo está com bilheteria inflada, diz jornal

Estreou nas salas de cinemas brasileiros a biografia cinematográfica do bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus. Uma produção orçada em torno de 50 milhões de reais, mas que já acumula polêmica. Ela está sendo apontada pela igreja e seus dirigentes como o maior fenômeno de todos os tempos, já tendo vendido mais de 4 milhões de ingressos antecipadamente, um recorde para o cinema nacional. Mas a história parece ser outra.

Filme de Edir Macedo estreou com 4,2 milhões de ingressos vendidos antecipadamente.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, os ingressos foram comprados em sua maioria pela própria Igreja Universal, e distribuída entre os fieis de suas filiais, na tentativa de inflar os números da produção, e fazer com que ela pareça maior do que realmente é, em termos de bilheteria.

Algumas sessões visitadas pelo jornal indicavam previamente que restavam poucos assentos vazios, mas na realidade as sessões estavam esvaziadas, com menos da metade do público esperado em decorrência dos ingressos vendidos. Ao final de algumas exibições, grupos de fieis começam a cantar músicas evangélicas e fazem orações pelo bispo, inclusive. Mas como se mostra, nem todos que ganharam os ingressos compareceram.

Além disso, um lencinho da IURD está sendo entregue em alguns pontos de sessões, com versículos bíblicos. Ao final do filme, um vídeo em que mostra o bispo Edir Macedo orientando os fieis a usarem o lenço por 7 dias, e depois comparecerem a uma Igreja Universal, é exibido. Com isso, o filme pode estar sendo usado como isca pela igreja para atrair novos fieis, daí o interesse na compra dos bilhetes para distribuir.

Prática semelhante foi observada à época pelo filme “Os dez mandamentos”, que vendeu quase 12 milhões de ingressos, mas não deve ter tido um público real tão grande, tendo em vista que a maior parte dos ingressos foi adquirida pela própria Universal, e dividida também entre seus fieis, que não compareceram em grande número.

Resposta da Universal
A Igreja Universal do Reino de Deus reagiu à reportagem da Folha de São Paulo, e em tom irônico agradeceu o interesse do veículo com o filme, “a ponto de contar as pessoas que faltaram”. Ressaltou que não tem controle sobre quem vai ou não assistir o longa, e deu a entender que a matéria publicada por um dos maiores jornais do país, era “fake news”. Confira abaixo:

“Portanto, reafirmamos que a Universal não tem controle nem responsabilidade sobre o público que decide ir, ou não, às salas de cinema que estão exibindo “Nada a Perder”. Mas confirmamos, sim, que muito orgulhosamente, incentivamos todos os nossos membros e o público em geral a assistir ao filme, para que tenham a oportunidade de conhecer a verdadeira história do Bispo Edir Macedo, pois, a depender de alguns veículos da imprensa preconceituosa como a “Folha de S.Paulo”, as pessoas só terão acesso às mentiras e falsas informações, cujo objetivo é claro: denegrir a fé evangélica. Chega de preconceito. Chega de fake news”, diz a nota.

Tadeu Ribeiro
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