Igreja Católica propõe que quem casar novamente fique sem sexo

O divórcio é uma questão delicada para os cristãos. Passagens Bíblicas condenam a dissolução do casamento por qualquer motivo, exceto no caso de morte de um dos cônjuges, que a partir daí libera o sobrevivente a contrair novo matrimônio. Na interpretação das palavras de Jesus no evangelho de Matheus, o que fugir disso é adultério. Com relação a essa questão, uma orientação escrita pelo cardeal de Lisboa, Dom Manuel Clemente, tem gerado forte repercussão nas redes sociais. Ele defendeu que os “recasados”, ou seja, as pessoas que se divorciaram e casaram novamente, devem manter uma vida sem transar, para serem aceitos pela igreja.

Igreja Católica discute a questão do divórcio

O Papa Francisco, no entanto, defendeu anos atrás que a Igreja Católica deveria deixar de lado a “moralidade burocrática”, para passar a permitir que os divorciados e os recasados possam ter acesso aos sacramentos da instituição, além de ser reincluídos no meio litúrgico.

O cardeal de Lisboa afirma que sua orientação de renúncia sexual vai ao encontro do entendimento do Papa. E disse ainda que chegou a essa conclusão “após longo caminho de discernimento”. Explicou também que a regra de ficar sem manter relações entre si só servem para os cônjuges que não conseguirem anular seus casamentos anteriores, o que os colocaria em “situação irregular”.

Criticado pelos católicos que possuem uma visão mais progressista do sistema canônico, o cardeal católico explicou que o nível de culpabilidade dos agentes também deve ser levado em consideração. Aquele que foi traído pelo ex-marido ou mulher, por exemplo, terão mais facilidade de se reintegrarem à comunidade católica do que aqueles que cometerem o adultério em si. Além disso, a situação dos casais que possuem filhos, e estes possam ser prejudicados pela rigidez da norma, também serão vistos com um olhar mais flexível.

Os evangélicos também possuem resistência quanto ao divórcio, pelos mesmos motivos teológicos que os católicos. No entanto, essa regra tem sido flexibilizada ao longo dos anos, por lideranças evangélicas que não conseguiram seguir a norma bíblica à risca. Algumas denominações passaram a aceitar o divórcio naturalmente, por interferência de seus líderes, que acabaram contraindo novos matrimônios. Os exemplos são muitos, inclusive de grandes pastores. Mas, para a maioria do segmento cristão, a regra “o que Deus uniu que não separe o homem” é uma disposição da qual não se deve abrir mão. Hipocrisia ou não, o assunto é uma realidade crescente.

Tadeu Ribeiro
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Com informações do jornal O Globo.