Marco Feliciano e outros deputados evangélicos votam a favor de Michel Temer

Maior nome da bancada evangélica na Câmara dos Deputados, o Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) votou a favor do arquivamento da denúncia que investiga o presidente Michel Temer (PMDB) por obstrução de justiça. Ele também livrou o presidente na primeira denúncia, que acusava Temer de ter praticado corrupção passiva.

Além de Feliciano, outros nomes como o cantor gospel e deputado Marcelo Aguiar (DEM-SP) e o pastor da Assembleia de Deus, Takayama (PSC-PR), votaram contra o prosseguimento das investigações no Supremo Tribunal Federal.

Na hora do voto, Marco Feliciano chegou a dizer que estava votando “Sim” (a favor do arquivamento) porque seus seguidores no Twitter haviam pedido isso. Em seguida, deu depoimento dizendo que se está “ruim com Temer, pior sem ele”. A política do “uma mão lava a outra” é válida para esse contexto. Enquanto Temer mantiver uma agenda conservadora, e traga um certo crescimento econômico, está valendo para esses pastores mantê-lo no poder, ainda que esteja atolado em esquemas de corrupção investigados na Operação Lava Jato.

A pergunta que se faz é se este é realmente o pensamento da maioria dos evangélicos, que sentem-se representados pelos deputados de sua bancada. Não afrontaria aos princípios cristãos manter no poder alguém supostamente corrupto? Seria ético trocar votos em troca de interesses?

O presidente Michel Temer, inclusive, liberou milhões de reais em emendas para diversos deputados em troca de votos favoráveis na Câmara. Como dissociar a imagem de alguém cristão e que se diz embaixador da moral e da família, de um sistema corrupto desses? É um trabalho e tanto. O deputado que chamou Eduardo Cunha, que atualmente está preso, de “meu malvado favorito”, livrou, duas vezes, Michel Temer. Será que falta coerência no discurso? Pois nesse caso sim, se falta coerência, aí sim, estaremos na pior, com ou sem Temer.

Tadeu Ribeiro
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