Pastor burla lei e prefeitura manda fechar igreja evangélica

Pastor (que está com a mão no peito) é autuado pela prefeitura.

Um pastor evangélico teve sua igreja fechada no Guarujá, litoral norte de São Paulo, por conta de irregularidades no funcionamento da propriedade, segundo a prefeitura. O pastor em questão é Gustavo Reis, da Igreja da Luzz, que mantinha suas atividades em um local onde também funcionava uma pousada. Reis foi multado em R$ 5.695,44, e será investigado pelo crime de ameaça.

Em fevereiro, o pastor já havia se metido em confusão com a administração pública, após utilizar um evento, aparentemente religioso, para promover um carro “de luxo”, que pertence ao pastor e estava sendo posto à venda. Trata-se, no entanto, de um Chevette com cerca de 30 anos de fabricação, que foi modificado para ganhar características de luxo. Na ocasião, a prefeitura foi até à praia onde o pastor realizava a ação travestida de “culto”, e ordenou o desmonte da estrutura, tendo em vista que eles não possuíam autorização da gestão municipal para fazê-la.

Pastor expõe “carro de luxo” em praia do Guarujá como “culto”.

Após o incidente, uma força-tarefa foi montada entre diversos órgãos da administração, incluindo a Polícia Militar, que passou a monitorar o pastor e a propriedade onde ele realizava os cultos, e que também era uma pousada e espaço para festas. Foi constatado que o local não possuía alvará de funcionamento, e estava com o auto de vistoria do Corpo de Bombeiros adulterado: “Sem alvará, jamais aquela área poderia ser utilizada como hotel, para eventos ou outra coisa. E o auto dos bombeiros estava com dados falsificados”, conta Luiz Cláudio, secretário de Defesa Social do município.

Além disso, o pastor publicou em suas redes sociais mensagens que ameaçavam o prefeito do Guarujá, Valter Suman (PSB). As ações foram devidamente registradas, e deverão ser objeto de outras investigações por parte da polícia, segundo o secretário: “Além de todas as irregularidades, o pastor certamente deverá ser denunciado à polícia por uma série de ameaças que fez contra o prefeito, e que publicou na internet. As postagens foram muito compartilhadas. Outras representações deverão ser feitas contra ele por parte da prefeitura”, indicou.

Procurado pelo G1, o pastor Gustavo Reis afirmou que desconhecia o assunto: “Não estou sabendo”. Muito embora apareça nas fotos divulgadas pela prefeitura no momento da interdição. Na época em que foi autuado pela organização municipal por usar espaço público sem autorização e burlar evento religioso para se auto-promover, Gustavo Reis culpou o diabo: “A culpa não é de um indivíduo, é de um sistema, da falta de comunicação. E isso o Anticristo, o Satanás utiliza de todas as maneiras para colocar as pessoas umas contra as outras”, disse.

Tadeu Ribeiro
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