Pergaminho é descoberto e afirma que Jesus não foi filho único de Maria e José

Dizem os escritos heréticos que Jesus Cristo não foi filho único. Segundo textos apócrifos, ele teria irmãos, incluindo Tiago, o Justo, discípulo que desempenhou um importante papel na disseminação do cristianismo. Agora, pesquisadores da Universidade do Texas em Austin divulgaram a descoberta da primeira cópia original que se tem notícia de um pergaminho, em grego, de ensinamentos secretos de Jesus ao irmão.

Até agora, apenas um pequeno número de textos da Biblioteca Nag Hammadi — coleção de 13 livros cooptas gnósticos descobertos em 1945 no Egito — foram encontrados em grego, o idioma original da composição. Mas, no início deste ano, os pesquisadores Geoffrey Smith e Brent Landau adicionaram à lista a descoberta de diversos fragmentos, em grego, do Primeiro Apocalipse de Tiago, livro que se acredita ter sido preservado somente nas traduções cooptas. Eles datam dos séculos 5 d.C. ou 6 d.C.. “Dizer que ficamos extremamente animados quando descobrimos o que achamos é subestimar o que sentimos”, descreve Smith, professor de estudos religiosos.

“Nunca suspeitamos que fragmentos gregos do Primeiro Apocalipse de Tiago sobreviveu da Antiguidade. Mas eles estavam lá, bem na nossa frente.”

A narrativa descreve ensinamentos secretos de Jesus ao irmão Tiago, nos quais o Messias revela informações sobre o reino celestial e eventos futuros, incluindo a morte de Tiago, que foi apedrejado por autoridades romanas. “O texto traz mais informações sobre a vida de Jesus e seu minstério, nos permitindo a acessar conversas que supostamente aconteceram entre Jesus e seu irmão, Tiago — ensinamentos secretos que fizeram com que Tiago fosse um bom professor depois da morte de Cristo”, diz Smith.

Material de ensino
Escritos apócrifos como esse, segundo ele, ficaram fora dos livros canônicos (aceitos pela Igreja e que fazem parte da Bíblia). No ano de 367 d.C., Atanásio, bispo de Alexandria, que definiu que nenhum livro poderia ser adicionado ou retirado do Novo Testamento, composto por 27 obras.

Para Smith e Landau, devido à organização do manuscrito original, provavelmente ele era usado por professores para ajudar seus alunos a aprender a ler, algo muito comum na tradição romana, onde textos filosóficos eram utilizados com a mesma finalidade.

“O escriba divivdiu a maior parte do texto em sílabas, usando pontos medianos. Esse tipo de divisão era muito incomum em antigos manuscritos, mas apareciam frequentemente naqueles usados em contextos educacionais”, conta Landau, professor do Departmento de Estudos Religiosos. O mestre que produziu o manuscrito deveria ter afinidade com o texto. O documento não parece ser um simples excerto de um livro, como era comum em exercícios escolares, mas, no lugar disso, uma cópia completa dessa antiga escrita proibida.

A polêmica sobre Tiago ser irmão de Jesus é antiga e vem de fontes primitivas que o citam dessa forma. A Igreja Católica, porém, afirma que seriam irmãos no sentido espiritual, e não de parentesco.

(Correio Braziliense)