Pesquisa consegue revelar seus antepassados até chegar em Jesus Cristo

Muita gente já ficou curiosa sobre aqueles jovens, bem arrumados, que vagam pelas ruas da cidade em missão de converter ou, pelo menos, tentar levar a palavra da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Os mórmons, além da fé, têm um lado pouco conhecido e em evento gratuito neste fim de semana, ajudam pessoas a encontrar antepassados, quem sabe, até chegar em Jesus Cristo.

O projeto Family Search surgiu para coletar documentos de valor genealógico e com microfilmagem a igreja mantém até um site para buscas familiares. A ideia é catalogar todo e qualquer documento que comprove a passagem de alguém pela terra.

O motivo? Muita gente vai em busca dos antepassados apenas por curiosidade, mas hoje tem gente encontrando familiares, usando as informações para conseguir dupla cidadania e até se prevenir de doenças, levando em consideração o histórico de saúde, garantem os mórmons.

É o que explica Valéria Brito, de 54 anos, diretora de assuntos públicos da igreja. “Tem doença genética que se manifesta a cada uma ou duas gerações, então essa pode ajudar muito outras pessoas”.

E tudo é gratuito, basta começar a árvore genealógica pelo site Family Search com informações sobre os pais e avós, que o sistema vai buscando informações de outros familiares.

Mas para que isso aconteça e pessoas cheguem até dezenas de gerações, um trabalho de coleta é realizado no mundo inteiro pelos mórmons que fotografam registros de nascimento, óbito, casamentos e certidões. Mas como os registros civis só se tornaram obrigatórios em 1920, os mórmons também rodam o Brasil catalogando arquivos de dioceses católicas chegando a registros e fatos bem curiosos.

Foi o caso da advogada Maria de Fátima Coelho de Brito Cardoso, de 58 anos, que há quatro décadas vem trabalhando com genealogia no país. Em busca dos antepassados, Maria descobriu familiares em Portugal e até histórias que entraram para o albúm de família.

“Durante minhas pesquisas descobri registros do meu avô no Rio de Janeiro e uma fotografia de um bar que ele tinha na cidade. A maior descoberta é que a área onde ficava o bar foi desapropriada para ser o Maracanã”, conta.

Entre os registros religiosos, também não faltam curiosidades. “Há registros de batismo e até óbitos feitos pela igreja com descrições inusitadas. Em alguns casos, como em Portugal, há centenas de anos, o padre descrevia a mulher como: Uma rapariga muito dada, ou então, diziam que a pessoa falecida fedia muito”, relata.

Até ano passado, Campo Grande não tinha os documentos microfilmados pelos mórmons, mas agora praticamente todos os registros já estão catalogados pela igreja, o que aumenta a chance de encontrar pessoas do passado. “É possível chegar até Jesus Cristo. Mas claro, não é um processo rápido até porquê existem milhares de voluntários pelo mundo em busca de documentos genealógicos. São pelo menos 50 mil traduções por dia”, explica.

Para os mórmons, a motivação está em manter a memória da família. “Nossas família eternas e as histórias não acabam com a morte”, diz.

Mas em alguns casos, muita coisa é mantida em segredo. “Existem países árabes e cemitérios de juseus, por exemplo, que não permitem a divulgação de nomes na internet. Então os registros ficam guardados apenas com a igreja”.

E toda coleção de registros genealógicos do mundo fica armazenada no Cofre de Registros das Montanhas de Granito perto de Salt Lake City, Utah. A igreja construiu o local em 1965 e foi projetado para resistir a uma guerra nuclear, garante Maria. “É um dos lugares mais protegidos e seguros do mundo. Por razões de segurança, não é permitido o acesso público”.

(Lado B)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *