Sem ser punido, famoso pastor confessa abuso sexual e igreja o aplaude de pé

Abusos sexuais são temas polêmicos recorrentes em instituições cristãs no mundo todo. Começou com os escândalos envolvendo pedofilia na Igreja Católica, um tema que marcou e vem marcando desde a última década. Logo depois começaram a surgir as primeiras denúncias de pastores evangélicos também envolvidos com escândalos do gênero.

Agora, um pastor de 42 anos, Andy Savage, que integra a Highpoint Church, uma mega-igreja localizada em Memphis, nos EUA, está no centro de uma polêmica. Uma mulher comunicou que foi alvo de assédio e abuso sexual quando durante uma carona que pegou com o referido pastor, em 1998. Na época, Andy tinha 22 anos, ela 17. Segundo informações do The New York Times, o clérigo foi desligado do ministério semanas depois do ocorrido, com a intenção de que o caso fosse abafado, já que ela comunicou o fato ao pastor presidente, que a orientou a ficar calada. Na ocasião, o pastor Andy teria obrigado a moça a praticar sexo oral nele.

Jules Woodson, a jovem em questão, disse que se sentiu confiante para trazer a história à público depois que viu diversas celebridades de Hollywood promovendo campanhas contra abusos que sofreram de diretores e atores famosos. Sem contato entre si desde então, os dois seguiram caminhos diferentes. Savage acabou se casando tempos depois, e passou por diversas outras igrejas. O ponto é que ele veio a público assumir sua postura criminosa, e pedir perdão a igreja da qual é membro atualmente, em Highpoint.

Andy e sua família, atualmente.

A polêmica girou em torno do fato que o pastor presidente da igreja no Memphis onde o pastor Andy confessou os abusos criminosos, chegou a criticar a vítima por ela “não ter seguido o mesmo caminho da cura” que o agressor. Pelo fato de ter sido vítima, os internautas que acompanhavam a transmissão online do culto disseram que ela não havia nada a ser curada, mas sim o agressor. Além disso, houve um forte período de aplausos calorosos para o pastor. Nenhuma punição foi declarada pela igreja, que considerou, com seu silêncio em penalizar e com seus aplausos de perdão, que nada deveria ser feito, embora um crime tenha acontecido envolvendo um de seus líderes. A passividade com que a violência sexual contra aquela jovem foi tratada gerou forte repercussão, o que fez o caso ser estampado nas páginas do The New York Times.

Assista abaixo (em inglês):

Tadeu Ribeiro
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