Conecte-se conosco

Mundo Cristão

Milhares participam de marcha em Belém para cobrar ações climáticas da COP30

Publicado

em

Neste sábado (15), milhares de pessoas — entre elas muitos representantes indígenas — ocuparam as ruas de Belém para pressionar os negociadores da COP30, que acontecem a poucos quilômetros dali, a adotarem medidas mais firmes contra o aquecimento global. Os participantes reivindicam o fim dos combustíveis fósseis e maior proteção à Amazônia.

Enquanto isso, o Brasil, país anfitrião da conferência da ONU, segue em conversas com outras delegações em busca de consenso sobre temas que continuam travados. Alguns países defendem a criação de um plano para reduzir e, futuramente, eliminar a dependência de energia fóssil.

A caminhada, que reuniu milhares de manifestantes segundo observou a AFP, saiu de um mercado da região e segue até um ponto próximo ao Parque da Cidade, onde está instalada a COP30. O local estava protegido neste sábado por barreiras com arames e forte presença militar.

“A gente está aqui para pressionar para que as promessas feitas pelos países sejam cumpridas, e também para que não haja retrocessos na luta climática”, afirmou à AFP Txai Suruí, brasileira e liderança indígena conhecida por sua atuação nas últimas conferências climáticas.

Entre os participantes, um grupo exibiu uma enorme bandeira do Brasil com a frase “Amazônia protegida”. Outros levaram três grandes caixões, simbolizando o “enterro” do petróleo, do gás e do carvão — apontados como responsáveis pelo aquecimento global. Também foram vistas bandeiras da Palestina durante a marcha.

O movimento ambientalista havia convocado grande participação popular, destacando que, nas três últimas COPs — Egito, Emirados Árabes Unidos e Azerbaijão —, muitas ONGs consideraram inseguro ir às ruas.
“Estamos aqui para mostrar que o poder vem do povo, especialmente nesta semana em que algumas vozes foram excluídas do processo e várias comunidades, inclusive indígenas, não se sentem representadas”, disse à AFP Tyrone Scott, da ONG britânica War on Want.

Os povos indígenas da Amazônia tiveram destaque na primeira semana de conferência. Na terça-feira, eles enfrentaram forças de segurança que protegiam a área reservada às negociações. Após uma queixa da ONU, o policiamento foi reforçado dentro e fora do Parque da Cidade.
Na sexta-feira, outro grupo indígena conseguiu uma reunião com o presidente da COP, André Corrêa do Lago, que se comprometeu a dar respostas às demandas. As lideranças pediram maior participação no processo e atenção a questões como a preservação de seus territórios.

Alguns indígenas rejeitam até mesmo a realização da conferência. “A invasão neste país vem desde 1500, e essa COP é mais uma invasão, o retorno das caravelas com o capital estrangeiro e multinacionais tomando nosso território”, declarou Naraguassu Pureza da Costa, liderança da ilha de Marajó.

O Brasil começou a COP30 com um avanço ao conseguir um acordo sobre a agenda da reunião. No entanto, temas mais sensíveis foram adiados. Até sexta-feira, não houve progresso em áreas como financiamento climático, metas de redução de gases de efeito estufa, transparência e barreiras comerciais, segundo uma fonte da equipe negociadora brasileira ouvida pela AFP.

A presidência da COP deve apresentar ainda neste sábado os resultados das consultas realizadas. Alguns participantes acreditam que cada país segue irredutível em suas posições e esperam que os ministros, que chegam na segunda-feira, busquem um acordo entre cerca de 200 nações até 21 de novembro.

Um negociador africano expressou preocupação: caso não haja avanços, há risco de que a conferência termine “vazia”.
Um diplomata ocidental, sob anonimato, afirmou que representantes do Brasil compararam algumas conversas da semana a “sessões de terapia”, pedindo às delegações que descrevessem suas expectativas em “cartas de amor”.

+ Acessadas da Semana