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Estudante judeu encontra suástica desenhada em sua carteira

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Estudante judeu do Colégio Cruzeiro encontra suástica desenhada em sua carteira na sala de aula - Foto: Reprodução

Um estudante judeu do Colégio Cruzeiro, no Rio de Janeiro, encontrou uma suástica desenhada em sua carteira na sala de aula. A turma de 6º ano do ensino fundamental viu o episódio acontecer no dia 4 de novembro.

O fato foi descoberto quando a escola decidiu fazer campanhas de esclarecimento e ações pedagógicas, além de reuniões com os pais. O caso foi publicado pela coluna do jornalista Ancelmo Gois.

Em nota, a direção disse ainda que está tendo conversas diárias com o aluno de 12 anos e sua família. No último dia 23, outro desenho do símbolo nazista apareceu na parede da sala de aula da turma da unidade do Centro do colégio.

“Temos visto em todo o mundo e, mais recentemente no Brasil, apologias ao nazismo. Somos uma escola de origem alemã. A primeira Deutsche Schule do Rio de Janeiro. Conhecemos bem esse período que macula a história da Humanidade e concluímos que, assim como a própria Alemanha age, temos o dever de relembrar sempre fatos históricos para que não mais ocorram”, diz a nota assinada pela direção da escola.

A escola informou também que o colégio tenta identificar quem foi o autor dos desenhos, mas não informou qual seria a punição prevista para o responsável pelo desenho. Mas, até o momento não foi possível descobrir quem está por trás das ações.

Criado em 1º de setembro de 1862, o Colégio Cruzeiro completou 160 anos em 2022. Ela é a mais antiga escola laica do Rio de Janeiro.

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LEIA A NOTA COMPLETA DA ESCOLA

“Recentemente um caso isolado de preconceito surgiu em nossas carteiras escolares e nós, da direção e do corpo docente, fomos implacáveis em repudiar e combater a ação. Tratamos o assunto internamente, na dimensão educativa, apoiando e protegendo o aluno diretamente envolvido e sua família. Com os demais, criamos uma campanha de esclarecimento e inúmeras ações no âmbito pedagógico foram intensificadas: conversas diárias com o aluno e sua família, aula interdisciplinar temática, reuniões de pais representantes e reuniões geral de pais, conversas individuais com alunos da série, exibição de documentário, indicações de literatura e filmes sobre o tema. Uma nota do mestre do jornalismo, Ancelmo Gois, destacando a atitude do Colégio Cruzeiro, publicada hoje, dia 3 de dezembro, em O Globo, nos fez, porém, abandonarmos nossa tradicional discrição e repensarmos a importância de ampliarmos essa ação combativa além dos muros da nossa escola.

Temos visto em todo o mundo e, mais recentemente no Brasil, apologias ao nazismo. Somos uma escola de origem alemã. A primeira Deutsche Schule do Rio de Janeiro. Conhecemos bem esse período que macula a história da Humanidade e concluímos que, assim como a própria Alemanha age, temos o dever de relembrar sempre fatos históricos para que não mais ocorram. A apologia de supremacia racial perseguiu e dizimou judeus, negros e outras significativas minorias durante a Segunda Guerra Mundial. Essa crueldade não ocorreu da noite para o dia. Ela foi crescendo paulatinamente ao longo de anos e, como a História é cíclica, volta e meia esse pensamento errôneo e descabido volta a assombrar a sociedade. Naquela mesma época da guerra, no Brasil, estabelecimentos de origem alemã foram fechados, destruídos e tiveram que mudar de nome, nosso colégio, inclusive.

Precisamos falar sobre isso e dissipar toda e qualquer injúria ou ofensa. Não há espaço para preconceitos no mundo de hoje, em especial no Brasil plural constituído da mistura de tantos povos, raças, culturas e religiões.

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O Colégio Cruzeiro que tem como visão: “Ser referência no cuidado e formação do ser humano integral e na difusão da cultura alemã”, inclui, em nosso coletivo, membros da comunidade judaica. Alinhado à esta visão, múltiplas ações educativas de caráter formativo ganham destaque em nossa escola desde a Educação Infantil ao Ensino Médio. Aulas de convivência, aulas interdisciplinares, rodas de conversa, café literário, cine-debate, aulas de campo, são apenas algumas das incontáveis ações pedagógicas para contribuir com a formação de cidadãos dispostos a combater qualquer tipo de preconceito ou discriminação. Além disso, temos um Departamento de Ação Social com 16 núcleos de atuação no Brasil e na Alemanha, incluindo abrigos para refugiados.

Os alunos do segundo ano do Ensino Médio do Colégio Cruzeiro têm como ritual de passagem para o início da vida adulta uma viagem de estudos à Alemanha, onde visitam museus, campos de concentração e abrigos de refugiados, bibliotecas, fábricas e também vários locais históricos que marcam as atrocidades do passado. A Alemanha preserva um grande acervo desse período tenebroso como forma de alertar as gerações futuras. E nós, como difusores dessa cultura, incluímos no programa da viagem essa parte dessa História. A partir de agora, vamos reforçar ainda mais nossas ações educativas, com campanhas de esclarecimento sobre esse período e suas consequências nefastas para o mundo.

Vamos ampliar nossos espaços de reflexão acerca da temática, com a comunicada educativa, trazendo estudiosos e historiadores, bem com líderes religiosos, corroborando assim com nossa meta educacional, que cumprimos há 160 anos, de formação integral do ser humano.

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Da mesma forma, nos colocamos à disposição para auxiliar outros colégios que busquem maior interação com os preceitos modernos alemães de combate à intolerância e preconceito”.

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