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“Pedia a Deus pra me consertar”, diz ex-ator da Globo sobre ser gay

Marco Pigossi assumiu publicamente o relacionamento homoafetivo com o diretor de cinema italiano Marco Calvani, em novembro de 2021

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Marco Pigossi - Foto: Gérson Lopes

O ator Marco Pigossi desabafou em uma entrevista recente que o processo para se assumir gay foi doloroso, tendo ele até mesmo pedido para “Deus o consertar”. Desde que assumiu publicamente, em novembro de 2021, o ator vem se envolvendo cada vez mais com projetos da causa LGBT.

Pigossi falou, em entrevista ao jornal O Globo, publicada nesta segunda-feira (11/07), sobre como leva a causa LGBTQIAP+ para o trabalho e sobre o processo desde que se descobriu homossexual.

“Eu rezava, pedia a Deus para me consertar. A homofobia é tão enraizada que, por mais que a gente assuma, ainda vai lidar com o preconceito interno. Vesti a máscara heterossexual, sempre fui observado pela beleza. Fiz personagem hétero para me esconder, o que deixou minha vida mais confortável”, disse ele.

De acordo com o ator, a descoberta foi ainda na adolescência. Na escola, ele era recluso, não descia para ir ao recreio e chegou a dispensar uma viagem de formatura. O alívio, segundo ele, começou a vir por meio do teatro.

“Era um alívio deixar de ser eu. O que era uma fuga, mas carregada de carga cultural, do despertar como pessoa”, afirmou.

Marco Pigossi falou sobre a liberdade ao assumir sua identidade sexual e como se sente acolhido pela comunidade.

“A pessoa que se aceita e está feliz com o que é conhece uma força enorme. Se sente com poder para ocupar espaços. E o encontro com a comunidade é uma corrente bonita, a gente se sente fortalecido, cria um senso comunitário. Porque, no fundo, o que a gente mais quer é pertencer. Como homossexual, sentia que não pertencia a nenhum grupo. Todos esses corpos passam por isso. E quando passam a pertencer… É do car***!”, falou.

Ainda na entrevista, o ator citou o presidente Jair Bolsonaro, ao contar que seu pai é um apoiador do chefe do Executivo. Ele contou que o ideal político dificulta o relacionamento entre pai e filho.

“Com meu pai é sempre tenso, não há naturalidade. É distante do universo dele, que é eleitor do Bolsonaro. Não que ele ache que ser gay é falta de porrada, mas se vota num candidato desse. Existe um ideal político que distancia a gente. Ele nunca vai me pegar pelo braço e se unir nessa causa. Diferentemente do amor incondicional da minha mãe”, disse.

O ex-ator da TV Globo assumiu publicamente o relacionamento homoafetivo com o diretor de cinema italiano Marco Calvani, em novembro de 2021.

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