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Mulheres Evangélicas denunciam clipe gospel de Cassiane ao MP-RJ

O Movimento Social de Mulheres Evangélicas do Brasil, formado por 70 coletivos evangélicos, anunciou que entrou com uma representação no Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) contra a gravadora gospel MK Music, por conta do clipe “A Voz”, da cantora Cassiane.

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A produção foi bastante criticada há algumas semanas, por ter romantizado a violência doméstica praticada contra as mulheres.

Na história encenada no clipe gospel, uma mulher que sofre vários tipos de abusos do marido não o denuncia para a polícia, como deve acontecer nesses casos, e mostra apenas que o agressor foi restaurado por Deus, como um milagre.

Por conta do ruído negativo, a MK Music decidiu lançar uma nova versão do projeto, incluindo cenas nas quais a mulher aparece denunciando à polícia o seu marido agressor. A gravadora gospel, no entanto, manteve o clipe original no YouTube.

Elisabete Pereira, uma das líderes do movimento de mulheres evangélicas, explicou ao jornal A Tarde sobre a representação feita no MP-RJ contra a MK Music por conta do clipe gospel.

“Formalizamos uma reclamação contra a empresa MK Music no Ministério Público do Rio de Janeiro apontando como apologia à violência doméstica, pedindo a retirada dele [clipe original] do ar, por conta dessa influência que leva a mulher a crer que tudo vai se resolver, sem uma denúncia [do agressor], sem o afastamento”, explicou.

O movimento decidiu não representar contra a cantora gospel Cassiane, pois não sabe precisar se ela opinou no sentido de fazer o clipe de sua música daquela forma. A MK Music confirmou, durante a repercussão do projeto, que ele foi roteirizado por Marina de Oliveira, herdeira da MK Music.

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“Só a Justiça pode apurar as responsabilidades. Porque é uma relação contratual. Quais são os termos do contrato da pessoa Cassiane com a MK? Será que ela tem autonomia para opinar na construção do clipe? Esse mundo empresarial e artístico é muito amplo. Tem que observar isso. Não é direcionar para a pessoa física de Cassiane, até porque ela tem uma carreira belíssima”, considera. 

“Mas esse episódio é importante para que Cassiane e toda personalidade religiosa compreenda que eles exercem um poder simbólico sobre a comunidade deles. Então, Cassiane acaba exercendo um poder simbólico sobre as mulheres que ouvem essa música. Esperamos que eles passem a observar a partir de agora que tudo que fazem com base na Bíblia tem reflexos sociais que vão ter efeitos para a sua comunidade e brasileiros de forma geral”, acredita.

Sobre o movimento feminista evangélico, Elisabete contou que mais mulheres estão se unindo na luta, mas que isso é um processo que vai de encontro aos interesses dos líderes evangélicos, que não querem perder seus “status” de patriarcas.

“Há pesquisas que apontam que mulheres negras são mais atingidas pela violência doméstica. Em contrapartida, dentro das igrejas evangélicas, principalmente as pentecostais e neopentecostais, o público é predominantemente de mulheres negras. Então, temos que trazer esses entendimentos [feministas] para as nossas irmãs. Claro que existe um pouco de resistência, porque quem está no topo não quer perder esse poder, esse senhorio, mas até agora a gente vem trabalhando e trazendo informação, e cada dia mais agregando mulheres para essa compreensão, porque é uma desconstrução”, explicou.

Sobre o clipe e a representação no Ministério Público, o Portal do Trono entrou em contato com a assessoria da MK Music, mas não obteve resposta até o fechamento dessa matéria. O espaço continua aberto.

Cantora gospel Cassiane se pronunciou após repercussão negativa do clipe.
Cantora gospel Cassiane se pronunciou após repercussão negativa do clipe.
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