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Índia está mudando política de casamentos arranjados dando autonomia às mulheres

Ananya tinha 15 anos quando viu sua irmã mais velha se casar com um homem que ela mal conhecia. As informações são do CNN Brasil.

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Sua irmã tinha 19 anos na época e só vira o marido uma vez, alguns meses antes. Eles conversaram várias vezes ao telefone.

“O casamento da minha irmã mais velha foi tradicional. Não acho que ela estava preparada e ela não parecia ser aquela noiva feliz… Acho que 19 é muito jovem para se casar”, confessou Ananya, que pediu para usar um pseudônimo para discutir assuntos familiares pessoais.

Os pais de Ananya escolheram o marido de sua irmã, bem como parceiros para suas outras duas irmãs, que se casaram quando tinham 22 e 26 anos. Agora com 30 anos, Ananya sabe que sua família adoraria que ela se casasse, mas ela não tem mais tanta certeza.

De qualquer forma, a mulher diz que terá mais controle sobre seu futuro do que sua irmã.

Os casamentos arranjados ainda são a norma na Índia, mas há uma tendência crescente de algumas mulheres escolherem seus próprios parceiros. Ou simplesmente não se casarem. A tecnologia também está substituindo os métodos tradicionais de arranjo. Em vez de depender de conexões familiares, muitos jovens indianos e seus pais estão se voltando para sites de casamento online para encontrar um parceiro.

Embora a metodologia possa estar se modernizando, muitos ainda dizem que as antigas medidas de compatibilidade (como casta e cor de pele) são discriminatórias e precisam ser eliminadas.

Os casamentos arranjados datam de séculos atrás. Eram uma forma das famílias das castas superiores manterem seu status e consolidarem riquezas. Com o tempo, o sistema se espalhou para outras comunidades por motivos semelhantes.

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Tradicionalmente, as famílias redigiam um currículo das estatísticas vitais de seus filhos (peso, altura, cor e casta) e compartilhavam a lista com os pais de possíveis parceiros. As listas também podem ser compartilhadas com amigos da família, um sacerdote local ou até mesmo um casamenteiro pago, do tipo apresentado na série “Casamento à Indiana”, sucesso na Netflix, embora isso seja cada vez mais raro.

No passado, essas informações podem ter sido confinadas a esse círculo interno, mas agora também estão frequentemente na internet para o mundo ver.

Os sites matrimoniais funcionam de maneira semelhante aos sites de namoro, incentivando os usuários a postar suas informações pessoais para encontrar um par. Entretanto, embora as biografias de sites de namoro sejam normalmente divertidas e espirituosas, as informações compartilhadas em um site de casamento são muito mais pessoais. Ocupação, renda, religião e casta são listadas. Para as mulheres, a postagem também pode especificar seu peso, tipo de corpo e cor de pele.

Muitas famílias veem esses dados como cruciais para uma combinação bem-sucedida, mas os indianos mais liberais veem alguns critérios – particularmente casta e compleição – como discriminatórios.

“A gente é criado para se sentir como gado. É desumanizado a esse ponto e acho que as famílias nem percebem isso”, disse Mira, uma advogada de 26 anos que mora em Nova Delhi. Ela pediu para usar um pseudônimo para evitar ofender sua família.

“Quando você é reduzido a um conjunto de qualidades em um pedaço de papel, e tenho certeza de que isso também se aplica aos homens, é profundamente objetivante e é isso que me afasta de tudo”, continuou.

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