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Minas Gerais

Jovem cadeirante chora ao relatar falta de acessibilidade na sede da Lagoinha

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Rayssa não conteve as lágrimas ao contar o que passou - Foto: Reprodução

A sede da Igreja Batista da Lagoinha em Belo Horizonte (MG) é um dos maiores e mais antigos templos religiosos da capital mineira. Muito famosa na Região Metropolitana de BH, a Lagoinha Sede recebeu uma reclamação nos últimos dias e que tem causado indignação em fiéis.

Na última terça-feira (26/04), Rayssa Guimarães, de 24 anos, enfermeira de Contagem, na Grande BH, contou das dificuldades vivenciadas por ela para assistir ao “Culto Fé”. Cadeirante, Rayssa denunciou que não pôde se sentar nas fileiras mais próximas ao altar.

Em um desabafo nas redes sociais, a jovem disse que passou o culto inteiro chorando por não conseguir assistir a celebração no lugar em que ela queria. “Eu passei o culto inteiro chorando, mas não foi por causa de mim não, sabe? Eu não deixo de sair de casa, não deixo de fazer nada, eu luto pra sentar na frente, porque é direito meu”, disse ela.

“Mas o tanto de mensagem que eu recebi, as pessoas falando que deixam de sair de casa, que sentem que não cabem nos lugares… é um absurdo”, continuou ela aos prantos no Instagram.

Rayssa sofreu um grave acidente de moto em agosto de 2020 e precisou amputar as duas pernas. Com a ajuda de amigos e familiares, a enfermeira conseguiu comprar duas próteses, além de uma cadeira de rodas.

Ao BHAZ, a jovem relatou que essa está longe de ser a primeira vez que ela precisa “brigar” para ter seus direitos garantidos. Apesar de ter conseguido sentar na frente, como exigiu, Rayssa não pôde ficar em sua cadeira de rodas, o que a impediu de se locomover durante o culto. “A partir de agora, todo local que eu for e não tiver acessibilidade eu vou filmar. Em show, qualquer evento que você vai, é tudo organizado, na igreja não vai ser?”, desabafa a enfermeira.

Além da cadeira de rodas, Rayssa Guimarães também tem duas próteses para se locomover (Arquivo pessoal)

“Os bancos da frente são todos reservados para pastores. Eu penso: cadê o respeito com a pessoa que é deficiente? Lá são fileiras de quatro bancos em cada, mais ou menos. Eles poderiam deixar algumas fileiras com banco removível, caso algum cadeirante queira assistir o culto. A gente tem o direito de participar igual a todas as outras pessoas”, conta ela.

Ela disse que os outros dois andares são de escada e não têm elevador. Além disso, segundo ela, a entrada não tem rampa, o que também dificultou seu acesso ao local. Apesar disso, a jovem garante que não vai deixar de frequentar a igreja. “Eu vou lá em quantos cultos forem precisos, até que eles mudem a logística e tornem o lugar mais acessível”, afirma.

Procurada, a Igreja Batista da Lagoinha informou, em nota, que lamenta pelo ocorrido e disse que vai investigar o tratamento recebido pela fiel Leia a nota completa abaixo:

A Igreja Batista da Lagoinha lamenta profundamente o ocorrido na última terça-feira (26) com Rayssa Guimarães durante o Culto Fé. Pedimos públicas desculpas e informamos que as orientações recebidas pela mesma durante a celebração não são direcionamentos oficiais da instituição. Iniciamos o processo de apuração do caso para que o episódio não se repita. Não é essa a nossa diretriz e desconhecemos esse tipo de atitude entre nossos voluntários e obreiros.

O prédio em que a igreja está localizada é uma construção de mais de 30 anos e, desde o início, cada nova determinação constitucional quanto aos critérios de acessibilidade é implementada.

– A Igreja Batista da Lagoinha lamenta profundamente o ocorrido na última terça-feira (26) com Rayssa Guimarães durante o Culto Fé. Pedimos públicas desculpas e informamos que as orientações recebidas pela mesma durante a celebração não são direcionamentos oficiais da instituição. Iniciamos o processo de apuração do caso para que o episódio não se repita. Não é essa a nossa diretriz e desconhecemos esse tipo de atitude entre nossos voluntários e obreiros.

– O prédio em que a igreja está localizada é uma construção de mais de 30 anos e, desde o início, cada nova determinação constitucional quanto aos critérios de acessibilidade é implementada.

– A Igreja Batista da Lagoinha preza pelo acesso global à palavra de Deus, seja presencialmente ou virtualmente. Para tanto, fomos uma das primeiras igrejas do Brasil a instituir a tradução simultânea em libras durante os cultos. Há 12 anos, temos em funcionamento o ministério Obra Prima, que é um centro de apoio a famílias com filhos que possuem algum tipo de deficiência, dando suporte irrestrito, acompanhamento psicológico e atividades de lazer. O mesmo acontece com dezenas de outras ações de acordo com cada necessidade de nossos membros e de toda a sociedade. Em todas as reuniões ou eventos da igreja temos equipes treinadas para atendimentos específicos, como para idosos ou pessoas com distúrbios mentais e/ou emocionais, por exemplo. Nos importamos e valorizamos cada membro ou visitante, de forma a nos adequarmos constantemente para que todos sejam recebidos da melhor maneira possível.

– Como igreja, estamos diariamente, durante 24h, em ininterrupto funcionamento para atendermos a todos. Dessa forma, consideramos inadmissível o tratamento relatado por Rayssa e reiteramos nosso pedido de desculpas à ela e sua família. Desejamos continuar recebendo-a em nossa casa, prezando pelo real motivo da nossa existência: o amor por pessoas.

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