“Nada disso”, diz Mourão sobre fechar embaixada da Palestina no Brasil

O Vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) disse nesta quarta (23) que seria “retórica e ilação” a história de que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) fecharia a embaixada da Palestina no Brasil.

Hamilton Mourão está presidindo o país na ausência de Bolsonaro, que está em Davos (Suíça).
Hamilton Mourão está presidindo o país na ausência de Bolsonaro, que está em Davos (Suíça).

A promessa de fechar a embaixada foi feita pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) durante sua campanha eleitoral, porque, segundo Bolsonaro, “a Palestina não é um país”. A frase foi dita em um ato no dia 8 de agosto do ano passado.

“A Palestina não sendo país, não teria embaixada aqui. … Não pode fazer puxadinho, se não daqui a pouco vai ter uma representação das Farc aqui também”, afirmou Jair Bolsonaro em seu discurso na ocasião.

O presidente em exercício Hamilton Mourão, no entanto, afirmou hoje que “Não, nada disso. Os dois Estados são reconhecidos, tá?”, ao ser questionado sobre a possível retirada.

Essa iniciativa de retirar a embaixada palestina do Brasil acabaria somando-se à polêmica transferência da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém, que também foi prometida por Bolsonaro durante sua campanha eleitoral.

A representação diplomática no país funciona, atualmente, em Tel Aviv, que é reconhecida internacionalmente como a capital do país. É que, desde o começo do século XX, os árabes e os judeus disputam intensamente para transformar Jerusalém na capital da Palestina e de Israel, respectivamente.

Para os cristãos, há uma crença de que apenas quando Jerusalém voltar a ser capital de Israel, é que Jesus Cristo retornará para buscar sua igreja. Mas o conflito é bastante delicado, por contadas tensões com o mundo árabe.

Essa semana, a Arábia Saudita decidiu vetar a importação de frango de 5 frigoríficos brasileiros. Os 25 que continuam autorizados a operar respondem por 63% das aves exportadas para o país em 2018. As ações da BRF caíram 5% na Bovespa no dia de ontem (22) após o anúncio. Oficialmente, fala-se em “restrições técnicas”, mas nos bastidores alguns dão como certo de que se trata de uma retaliação pelas mudanças diplomáticas envolvendo Israel e a Palestina.

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