Pastor critica silêncio dos artistas gospel sobre suposta corrupção de Flávio Bolsonaro

O pastor e teólogo Antonio Carlos Costa, que dirige a Igreja Presbiteriana da Barra da Tijuca, no Rio, cobrou um posicionamento dos cantores gospel do Brasil, sobre os escândalos revelados nos últimos dias pela imprensa sobre o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL).

Artistas gospel apoiaram família Bolsonaro durante as eleições do ano passado.
Artistas gospel apoiaram família Bolsonaro durante as eleições do ano passado.

Os artistas da música gospel e pastores evangélicos, quase que em sua totalidade, apoiaram Jair Bolsonaro e seus filhos nas últimas eleições gerais, sob o argumento principal de “luta contra a corrupção.”

Agora, o COAF, que investiga transações bancárias atípicas em toda rede financeira do Brasil, suspeitou de valores movimentados nas contas de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, além de várias transações suspeitas nas contas do próprio filho de Bolsonaro. O Jornal Nacional da TV Globo revelou que cerca de 96 mil reais foram depositados na conta de Flávio, em curtos períodos de tempo e sempre em valores iguais: 2 mil reais.

As investigações estão suspensas, temporariamente, por determinação do ministro Luiz Fux, que está presidindo o Supremo Tribunal Federal até o fim do recesso do órgão, quando a decisão de continuidade passará para as mãos do relator do caso, Marco Aurélio Mello. O ministro já sinalizou que deve determinar o prosseguimento da investigação.

O pastor evangélico da Igreja Presbiteriana publicou, então, em suas redes sociais, um manifesto pedindo que os que defenderam a eleição de Bolsonaro e sua família cobrem dele explicações plausíveis sobre a investigação, para que determine-se se houve crime ou não, e sua consequente penalização. Confira:

“JUSTIÇA NÃO SELETIVA

Os mesmos evangélicos que deram apoio acrítico, efusivo e institucional ao candidato Bolsonaro deveriam agora exigir investigação completa do caso que envolve a família do presidente da República.

O silêncio desse setor da igreja amplia a sua perda de credibilidade perante a opinião pública, abate parte dos seus membros, que não querem compromisso seletivo de combate à corrupção.

Não se trata de prejulgar, mas de pedir luz, transparência, respostas e punição célere caso seja confirmada a culpa.

Enquanto esse escândalo não for investigado a fundo, viveremos num clima de instabilidade política, capaz de contaminar a nossa economia, ampliando assim o desemprego e a miséria.

Já chega o que passamos com os governos anteriores, e o consequente sofrimento vivido por milhões de brasileiros.”

Antônio Carlos Costa, pastor e teólogo evangélico.

Dentre os nomes do gospel que apoiaram Bolsonaro estão: André Valadão, Ana Paula Valadão e sua família, Davi Sacer, Nani Azevedo, Silas Malafaia, Marco Feliciano, Edir Macedo, Eyshila, Lauriete, Fred Arrais, Vanilda Bordieri, Cassiane, Cristina Mel, dentre vários outros.

Até o momento, nenhum deles se posicionou cobrando explicações sobre os escândalos.

Em entrevista ontem (20) à TV Record, Flávio Bolsonaro disse que os depósitos foram feitos em vários retalhos de 2 mil reais porque este seria o limite permitido pelos caixas do Itaú. Mas não explicou porque, então, não optou por fazer uma transferência bancária. A suspeita recai sobre ele pelo fato de que o ato de desmembrar uma operação em vários depósitos pequenos é prática comumente utilizada para lavagem de dinheiro. O senador, no entanto, nega.