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Pastores não são médicos para indicar remédios e desacreditar vacinas da Covid-19

Parte da igreja evangélica está sendo referência atual na sociedade, mas não como uma parcela da população que faz a diferença positivamente. É justamente o contrário: líderes e liderados propagam desinformação, e pecam ao espalhar mentiras em prol de uma ideologia que em nada guarda relação com os ensinamentos de Jesus Cristo.

Estamos enfrentando o maior desafio da humanidade dos últimos milênios, com uma pandemia que já ceifou milhões de vidas e segue fazendo estragos diretos e indiretos. A igreja nesse cenário deveria ser a porta de luz, e não de trevas como tem sido em algumas situações.

Buscando interesses pessoais, pastores de grande renome começaram, ainda no início da epidemia, a plantar na cabeça dos fiéis que a Covid-19 não seria nada mais que uma “gripezinha”, assim como afirmou o presidente Jair Bolsonaro. Depois, defenderam que as igrejas deveriam ficar abertas, e que a recomendação de distanciamento social era uma “mentira da esquerda”.

Em seguida, para a doença que, segundo esses líderes, não existia, começou-se a receitar, durante cultos e lives gospel, remédios sem comprovação científica alguma, e que poderiam inclusive trazer complicações adversas. Como já era esperado, a iniciativa não alterou a mortalidade da doença, que continuou (e continua) matando milhares de pessoas todos os dias ao redor do mundo.

À medida que as mortes começaram a dizimar aos montes os próprios pastores de grandes denominações do Brasil, o discurso passou a ser mais brando, mas não por muito tempo.

Agora, com o desenvolvimento de dezenas de vacinas, algumas inclusive prontas para uso, e outras já sendo aplicadas em alguns países, os pastores vestiram seus jalecos novamente, desta vez para desacreditar o uso dos medicamentos.

Recentemente, um líder de uma grande igreja evangélica disse aos fiéis, durante um culto, que a vacina produzida pela China contém “vírus do HIV” dentro. O que é mentira. O religioso deve responder civil e criminalmente por tais declarações, segundo o Ministério Público.

O problema é que, depois que a mentira é instalada, vindo principalmente de um líder religioso para uma parcela da população que tem menos senso crítico, o estrago está feito. Para reverter esse pensamento só com muito jejum e oração.

Isso coloca em risco todo um país, já que a vacina é a única esperança real de volta à normalidade algum dia. Movidos por ganância, esses pastores irresponsáveis até sabem do pecado que estão cometendo, por mentir e causar pânico nas pessoas, mas não estão muito afim de abrir mão de um certo poder de influência sobre seu gado, que não vai hesitar em permanecer fiel com seus dízimos e ofertas.

A igreja brasileira precisa entender que não cabe a pastores ou padres vestirem seus jalecos para dizer como uma epidemia deve ser combatida, ou se deve-se usar tal remédio, ou ainda se a vacina produzida por “A” ou “C” é eficaz ou não deve ser tomada.

Cabe aos médicos, infectologistas, microbiologistas, enfermeiros, fisioterapeutas, e demais pesquisadores, dar o aval sobre tratamentos e possíveis caminhos a serem trilhados para vencer a Covid-19, que, sim, é uma realidade que não deixa margem aos negacionistas.

Quando você estiver num culto ou missa e ouvir um pastor ou padre receitando remédios milagrosos, questionando medidas de distanciamento social, ou ainda colocando em xeque vacinas contra Covid-19 que estão sendo produzidas, não desconfie apenas da formação técnica na área da saúde (que provavelmente ele não tem), desconfie também de sua formação cristã-teológica (que provavelmente ele pode até ter, mas não a entende plenamente).

É de se pensar que talvez nosso remédio mais urgente, no fundo, seja o para tratar a ganância dos gurus religiosos e a ignorância do gado fiel.

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