Escândalo: PGR pede prisão de Silas Camara, presidente da Bancada Evangélica

A Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, pediu ao STF que condene o deputado federal Silas Câmara (PRB), que é presidente da bancada evangélica na Câmara dos Deputados, em razão de suposto peculato, por ele ter supostamente se apropriado dos salários de seus servidores, e ter realizado nomeações de funcionários fantasmas.

Líder da bancada evangélica, Silas Camara é acusado de peculato.
Líder da bancada evangélica, Silas Camara é acusado de peculato.

A denúncia apresentada pela PGR aponta que, somente entre os anos de 2000 e 2011, Silas Camara recebeu “reiterados depósitos em espécie”, que chegam a soma de R$ 145 mil.

A procuradoria indicou ainda que há semelhança entre estes valores e os sacados pelos assessores do deputado evangélico. Além disso, foram constatadas proximidade entre as datas de saques dos assessores e a dos depósitos feitos nas contas correntes do parlamentar.

Raquel Dodge apontou que o deputado chegou a nomear 18 assessores parlamentares, e exigiu “parte ou a totalidade de suas remunerações, sendo que alguns dos secretários parlamentares sequer cumpriram expediente de trabalho no escritório de representação do parlamentar no Estado do Amazonas”, segundo a denúncia.

A Procuradoria-Geral da República usou como um dos elementos principais da denúncia o depoimento de Raimundo Silva Gomes, que é ex-assessor do deputado evangélico e que confessou ter atuado como operador do esquema criminoso.

Segundo o colaborador, o dinheiro era repassado a Silas Camara com o “fim de pagar as contas pessoais do Gabinete e do próprio Deputado, tais como cartões de crédito, sendo que eventuais saldos eram depositados na conta corrente do Parlamentar”.

Ele também revelou que uma parte dos funcionários do deputado não possuía caráter público, e prestava somente serviços privados e pessoais ao parlamentar, mesmo sendo remunerados com dinheiro da União, e destacou exemplos: piscineiro, cozinheira e motorista.

Raquel Dodge também citou o fato de uma das testemunhas de acusação ter modificado completamente seu depoimento. Uma hora ela entregou todo o esquema criminoso, e no outro desdisse tudo, e afirmou que nunca havia ouvido falar sobre nenhum esquema.

“A nova narrativa dos fatos carece de credibilidade, sobretudo quando confrontada com o acervo documental presente nos autos e com o ônus agravado que a parte traz consigo ao pretender conferir mudanças de seu relato”, diz a Procuradora-Geral da República.

O que diz a defesa do deputado em nota ao Estadão:
As alegações finais da Procuradoria-Geral da República não procedem: os servidores lotados no gabinete do Deputado Silas Camara e no escritório parlamentar em Manaus prestaram serviços típicos de assessores parlamentares, conforme suas respectivas capacidades, e foram remunerados de acordo com as disposições e regramentos da Câmara dos Deputados. Nenhuma contrapartida jamais foi cobrada desses servidores que não o cumprimento de seu dever funcional. Segundo o advogado Rogério Marcolini, o Deputado confia que o Supremo Tribunal Federal saberá reconhecer esses fatos para afastar a acusação injusta que lhe é feita.