Priscilla Alcantara é a sucessora de Ana Paula Valadão no gospel

A cantora gospel Priscilla Alcantara tem despontado no cenário gospel brasileiro, e despertado o interesse de muitos. Ex-apresentadora do infantil “Bom dia e Cia” do SBT, sua carreira evangélica tem alcançado milhões de pessoas, não mais pela sua destreza com crianças, qualidade que ainda carrega, mas sim pela forma como tem tocado os fieis com sua música e testemunho, o que a faz ser constantemente ser comparada pelos internautas à Ana Paula Valadão, líder do Diante do Trono, por quem Priscilla já se declarou admiradora meses atrás.

Priscilla Alcântara e Ana Paula Valadão juntas nos EUA.
Priscilla Alcântara e Ana Paula Valadão juntas nos EUA.

E as duas, de fato, tem algumas características em comum. A mais evidente, de certo, é a ousadia. Ambas iniciaram trabalhos de grande expressão e alcance, ainda muito novas. Ana Paula Valadão começou o Diante do Trono quando tinha pouco mais de 21 anos de idade, em 1997/98. O ministério se tornaria um dos maiores da América Latina, vendendo mais de 10 milhões de cópias e reunindo públicos acima de 2 milhões de pessoas em suas gravações de álbuns.

Priscilla Alcantara começou sua carreira muito cedo, mas só começou a despertar os olhares de um público cada vez maior a partir de 2017, com 21 anos, colocando “Tanto faz” e “Liberdade” nas paradas de sucesso das rádios evangélicas de todo o país. E ela não ficou presa apenas entre a ala estritamente gospel. O clipe de “Tanto faz”, por exemplo, entrou para a base de músicas do programa TVZ, do canal pago Multishow.

E essa abertura que Priscilla Alcantara conseguiu no meio secular tem uma certa explicação: suas inovações. A cantora mudou o conceito das letras evangélicas, tornando-as mais poéticas, menos ofensivas e mais humanas, e assim mais fáceis de serem assimiladas pelo público não-religioso, o que faz com que seu alcance seja cada vez maior. Isso soa como algo muito positivo para alguns, mas não é imune às críticas de outros, que enxergam nisso um afastamento das tradições bíblicas que são cantadas, sobre poder, vitória, bênçãos, justiça de Deus etc.

Mas não pode-se deixar de registrar que o mesmo aconteceu no passado com Ana Paula Valadão, que ao iniciar um novo conceito de adoração e louvor no Brasil, sofreu grande resistência dos mais conservadores, que não apoiavam a abertura dos púlpitos das igrejas para ministérios de danças, nem para canções que falavam menos de batalhas, vinganças e pecado, e mais de amor, redenção e renúncia. O fato é que algo aconteceu de forma a permitir que, com o passar do tempo, a igreja se voltasse mais para o amor ao evangelho do que o amor pelas bênçãos, e isso é fruto de uma mudança significativa que alcançou um forte ápice com a ascensão do Diante do Trono de Ana Paula Valadão.

Priscilla Alcantara demonstra ainda uma articulação e oratória que prendem o público. Mensagens simples e tocantes, que fazem as pessoas refletirem sobre o mundo a partir da hipocrisia encontrada internamente em cada um. Palavras nostálgicas que nos lembram a época em que a igreja brasileira foi confrontada a se voltar mais a Deus e seu amor, por meio de tantos ajuntamentos inesquecíveis do Diante do Trono no início dos anos 2000.

Se Priscilla Alcantara será, de fato, a sucessora de Ana Paula Valadão, não se sabe. Mas é certo que as duas desempenham um papel fundamental no crescimento da música cristã no Brasil, cada uma em seu tempo, com seus métodos e para públicos distintos, mas sempre com um brilho que é perceptível em ambas.

Tadeu Ribeiro
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