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Justiça decide que pastora Karla Cordeiro, da Sara Nossa Terra, não cometeu crime

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Por unanimidade, a 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio extinguiu o processo contra a pastora Karla Cordeiro, de 41 anos, que foi acusada de homofobia, após aparecer pregando e criticando os fiéis que defendiam causas políticas, raciais e LGBT. A informação é do Jornal O Globo.

Karla Cordeiro apareceu em um vídeo ministrando uma palavra na Arena Jovem, um ministério da juventude da Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra, da cidade de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. A ministração, que aconteceu no final de Julho, Karla faz um discurso crítico a quem defende algumas causas, entre elas o LGBTQIA+.

“É um absurdo pessoas cristãs levantando bandeiras políticas, bandeiras de pessoas pretas, bandeiras de LGBTQIA+ e sei lá quantos símbolos tem isso aí. É uma vergonha. Desculpa falar, mas chega de mentiras”, diz a pastora. “É uma vergonha. A nossa bandeira é Jeová Nissi, é Jesus Cristo, ele é a nossa bandeira. “Para de querer ficar postando coisa de gente preta, de gay, para. A palavra de Deus que transforma vidas. Vira crente, se transforma, se converta!”, disse ela.

EXTINÇÃO DO PROCESSO

Por causa disso, a pastora virou ré por discurso racista e homofóbico. O julgamento aconteceu nesta quinta-feira (02/12), na 3ª Câmara Criminal, do Tribunal de Justiça. Por unanimidade, desembargadores decidiram que a pastora não cometeu crime. Com a decisão, o processo não poderá prosseguir.

Segundo a reportagem do portal Metrópoles, o desembargador Paulo Rangel, disse que a pastora está amparada pela liberdade de culto religioso e de crença.

“A paciente pregou a palavra de Deus com base no livro Santo e Sagrado de todos os Cristãos: a Bíblia. (…) Não comete crime quem, em pleno exercício de sua religião, clama pelos ensinamentos de Cristo, sem ofensa a qualquer minoria. O que se quer é obrigar a paciente a rasgar a Bíblia e a aceitar o homossexualismo”, diz trecho da sua decisão.

“HOJE TUDO É CRIME”

Além disso, o magistrado defendeu que “a prática do homossexualismo e demais atos citados na passagem Bíblica e tidos como pecados não são inventados pela pastora. (…) Querer que ela defenda algo diferente do que está na Bíblia é cercear a liberdade de culto dela”.

Durante seu voto, Paulo colocou a canção “Recado”, de Gonzaguinha, e citou a frase: “Liberdade virou prisão”. Ele criticou também o fato de tudo ser considerado crime atualmente e lamentou que o Direito Penal tenha se tornado “instrumento de manipulação social e não de segurança jurídica (princípio da reserva legal)”.

“O problema é que hoje tudo é crime. A pessoa tem uma opinião que não é politicamente correta, pronto: já é considerada criminosa. Opinião passou a ser crime. Lamentável. Hoje humoristas como Paulo Silvino que tinha o bordão ‘Isto é uma bichona’, Tom Cavalcante que encarnava o ‘Pit Bicha’, o memorável e inesquecível Chico Anísio que dentre centenas de personagens encarnava a ‘Salomé’, ‘Os Trapalhões’ (Dedé, Didi, Mussum e Zacarias) que se dirigiam ao queridíssimo e inesquecível Mussum como crioulo, dentre outros, seriam presos na porta do estúdio de gravação e denunciados pelo Ministério Público”, escreveu em um trecho do voto.













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