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Pai faz desabafo após filha autista ser expulsa de igreja “Não foi bem vinda”

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Fotógrafo do DF denuncia preconceito com filha autista em igreja - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Um fotógrafo de Brasília (DF) usou as redes sociais para denunciar um episódio sofrido por sua filha autista em uma igreja evangélica da cidade. O caso ganhou repercussão nos últimos dias e foi destaque em diversos jornais do Brasil.

Anderson Marques contou que levou sua mãe, sua mulher e seus dois filhos para um culto da família realizado numa igreja em 6 março. Em um determinado momento do culto, a filha, de 4 anos, apresentou uma crise de ansiedade durante a cerimônia. As duas crianças foram diagnosticadas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

“Eu espero que nenhuma outra família, nenhuma outra criança, nem outro pai, sinta o que eu senti dentro de uma igreja”, disse o fotógrafo. “Todo amor, tudo o que eu puder fazer por eles, eu vou fazer. É por isso que eu resolvi gravar esse vídeo contando o que aconteceu”, disse ele no início do vídeo.

EXPULSOS DO CULTO

Anderson contou que após ele e sua esposa irem ao banheiro para trocar a fralda da filha, que ainda não consegue ir sozinha ao vaso sanitário e também não fala, voltou para o interior da igreja para acompanhar o culto. Foi quando a criança começou a chorar e a se debater no chão, chamando atenção de quem estava próximo. Anderson disse que um homem se aproximou deles rapidamente e pediu que se retirassem.

“Assim que chegamos naquele ponto, a Luísa começou a ter uma nova crise, chorando, se jogando no chão, tentando se bater, e em menos de 5 segundos que eu estava primeiro tentando acalmá-la, que é o mais importante quando uma criança autista tem uma crise, para ela não se machucar, chegou um membro dessa igreja simplesmente falou pra gente se retirar dali porque a gente estava atrapalhando”, afirmou o fotógrafo.

O desabafo do pai rendeu muitas críticas à igreja, e após a repercussão, uma pessoa que frequenta os cultos ligou para ele e pediu desculpas “como cristão e pela igreja”. Alguns dias depois, uma psicóloga também entrou em contato, a pedido do responsável pelo local religioso.

“Ela, como uma das responsáveis por essa parte de inclusão, se desculpou e comentou que iriam buscar conscientizar e orientar seus membros e voluntários para que não ocorra novamente”, teria dito a psicóloga ao pai da criança.

“O que se iniciou como um desabafo e forma de conscientizar os que estão em minha volta acabou viralizando e recebemos milhares de mensagens de carinho e apoio de todas as partes do Brasil e também do mundo, Argentina, Portugal, Dubai, Canadá, entre outros… Muitos cristão se desculpando como igreja, mas principalmente muitas mães, pais e famílias que se identificaram com o que passei, que se viram em meu relato, pois sabem exatamente como é a nossa rotina e busca por um futuro e um mundo melhor para os nossos filhos”, disse ele.

O fotográfo Anderson Marques, sua esposa e seus dois filhos – Foto: Reprodução/Instagram

SOBRE A CRIANÇA

Anderson explicou que a filha “não sabe dar funcionalidade às coisas” e “é totalmente dependente” dele e da esposa. Além disso, contou também que a criança toma medicação que tenta controlar as crises de ansiedade e a qualidade do sono, mas a realidade é marcada por noites mal dormidas e comportamento agressivo.

Anderson chega a mostrar no vídeo uma mordida que levou da menina em seu braço, dizendo que seu psicológico e o de sua mulher ficam “totalmente afetados”.

“Só quem convive com crianças autistas ou com adultos autistas sabe como é difícil, como a nossa rotina não é nada fácil. Talvez alguns de vocês que me acompanham por aqui vejam as fotos lindas que a gente posta deles, mas não fazem ideia de como é a rotina, como é a vida real por trás das imagens que vão para as redes sociais”, disse ele.

BUSCANDO UMA PALAVRA DE CONSOLO

Segundo Anderson, ele foi ao culto naquele domingo depois de a filha passar 10 dias sem dormir mais do que três horas por noite e sem se alimentar direito. Então, foi resolver ir até uma igreja “buscando a palavra de Deus, um acolhimento e uma luz no fim do túnel”. “E lamentavelmente no dia do Culto da Família nossa filha Luísa que é autista não foi bem vinda por lá”, disse ele.

“E buscando uma palavra de consolo, uma luz no fim do túnel, a gente teve a ideia de ir pra igreja. Fazia anos que a gente não ia por conta da rotina, justamente familiar e tudo. Vi que naquele dia ia ter o culto da família e pensei que não tinha lugar melhor, dia melhor ou culto melhor pra gente estar que não fosse esse. Em busca justamente de encontrar a palavra de Deus, a gente foi pra lá”, contou.

O fotógrafo não quis revelar o nome da igreja, mas recebeu centenas de mensagens de apoio depois que ele decidiu expor a situação na internet.













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