Igreja Batista da Lagoinha tem grupo especial para tratar do público LGBT

Lidar com os LGBTs ainda é uma das tarefas mais difíceis para a maioria das igrejas evangélicas atualmente, não só no Brasil, mas também no mundo inteiro. Preconceito, ódio travestido de amor e muito legalismo acabam afastando o público LGBT dos movimentos pentecostais e religiosos. E a Igreja Batista da Lagoinha criou um movimento para acolher essas pessoas, ensiná-las que a “prática” homossexual fere a Bíblia e não é o ideal que Deus espera para os seus filhos, além disso deixa aberto o espaço para que eles falem sobre suas experiências e tenham contato com a palavra de Deus.

Reunião do Movimento Cores na Lagoinha.

Trata-se do Movimento Cores, liderado por Priscila Coelho, que é repórter da Rede Super (Canal de TV da Lagoinha) e que se diz ex-homossexual. Em entrevista ao portal Guiame, Priscila deu detalhes sobre o projeto e contou sobre suas experiências pessoais.

Priscila explicou que vem de um contexto LGBT, e que apesar de não “praticar” a homoafetividade, ela ainda possui os desejos por pessoas do mesmo sexo: “não tenho a prática, mas meu desejo é homoafetivo”, contou, traçando um paralelo com outras pessoas que se dizem ex-gays e gravam testemunhos afirmando que foram “curadas” e agora só se relacionam e desejam pessoas do sexo oposto – “não é o meu caso”, garante Priscila.

Após fazer alguns questionamentos de desejos que carregava em seu coração, a repórter disse que falou com Márcio Valadão, pastor-líder da Lagoinha, e explicou a visão que tinha sobre fazer algum projeto para o público gay: “[Ela disse] Pastor Márcio (Valadão), estou me sentindo confrontada por Deus para ministrar a essa galera do LGBT. Ele disse: ‘Filha, Deus tem uma isca para cada tipo de peixe. Se essa é a sua isca, então vá'”, lembra ela.

Segundo a ex-lésbica, houve certa resistência por parte da igreja, que viu nas ideias uma forma meio agressiva, liberal demais. Até o nome do movimento, “Cores”, foi pensado para afastar os termos evangélicos que pudessem repelir a aproximação dos gays.

Os frutos são lentos, conta ela, mas passam sempre por Jesus, e independentemente da pessoa acreditar ou não que vive de forma contrária ao que Deus quer, o simples fato dela ter se aproximado de Cristo, já é considerado um fruto: “Nosso objetivo é que o LGBT tenha acesso a Deus. Então os frutos são esses. São pessoas detonadas que acham que não podem ter acesso a Deus por conta da sua orientação sexual. E se ele sair daqui acreditando que tem isso, mas que pode caminhar com Deus, para mim isso já é um fruto. E é um processo longo. Nós estamos falando de travestis, de transgêneros que muitas vezes nem entendem o que são. Então, ver essas pessoas caminharem com Cristo, ver um LGBT lendo a Bíblia e orando já é um grande fruto”, diz.

Sobre a resistência que ocorre nas outras denominações, Priscila explica que a igreja não está preparada para lidar com o público LGBT, e que isso acaba afastando as pessoas da religião cristã. Diz ainda que a hipocrisia é um dos piores influenciadores para os julgamentos que acabam acontecendo nos templos: “Se chega hoje uma menina masculinizada e lésbica, amanhã já querem que ela termine o relacionamento, que ela pare de usar droga, que use saia. Transformação não é isso. A transformação é Deus lavando por dentro, e uma hora ela vai ser transformada. Infelizmente a igreja não compreende de uma forma geral o pecador. Qualquer pessoa que entra na igreja e se assuma como pecador, a igreja não consegue lidar. A igreja está preparada para lidar com falsos santos, mas para lidar com o pecador que a Bíblia pede, eu não percebo essa habilidade não”, finalizou.

As reuniões do Movimento Cores ocorrem toda segunda e quinta, a partir das 20h, na Lagoinha Savassi, em Belo Horizonte (MG).

Tadeu Ribeiro
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