PGR decide aumentar investigações contra Silas Malafaia por lavagem de dinheiro

O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), está na mira da Procuradoria-Geral da República (PGR). No fim de 2016 ele se envolveu em um escândalo após ser incluído nas investigações da Operação Timóteo, uma das fases da Operação Lava-Jato. Os investigadores rastrearam um cheque, no valor de R$ 100 mil, que foi emitido para Silas Malafaia, e que o mesmo depositou em sua conta-corrente. Esse cheque pertencia a Jader Pazinato, que é suspeito de desviar royalties da mineração, além de pagar propina para alguns agentes públicos.

Silas Malafaia está sendo investigado pela PF

Por conta da atividade suspeita, a justiça determinou em dezembro de 2016 um mandado de condução coercitiva contra o pastor, para prestar esclarecimentos. À época, Silas Malafaia disse que recebeu o dinheiro do advogado como uma doação legal, após orar por ele. Os investigadores, no entanto, acreditam que pode ter ocorrido o crime de lavagem de dinheiro, onde Silas supostamente mascarou um dinheiro ilegal, como se fosse legal.

O líder da ADVEC pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) que arquivasse as investigações contra ele, mas segundo documentos sigilosos obtidos pelo jornal O Globo e divulgados hoje (19), a PGR argumentou que não há motivos para a extinção das investigações, mas ao contrário, determinou que novas diligências acontecessem para que se confirme ou não a prática de algum crime pelo pastor: “Há, ao contrário, prova de que o requerente [Silas Malafaia], em circunstâncias ainda não totalmente elucidadas, foi beneficiário de vultosos recursos oriundos de um dos principais investigados da assim denominada Operação Timóteo”, diz trecho do documento assinado pelo vice-procurador-geral da República, Luciano Maia.

Um dos argumentos que a defesa do líder religioso sustenta é o de que, caso se tratasse de dinheiro ilícito, Malafaia não teria depositado a quantia em sua própria conta-corrente. Mas os investigadores da Polícia Federal acham que o fato dele ter colocado o valor em sua conta pessoal pode ter sido com o intuito de tentar enganar as autoridades, tentando passar a imagem de que se tratava de uma prática lícita.

O pastor Silas Malafaia já foi alvo de outras polêmicas do gênero, principalmente quando a revista Forbes indicou ele como o 3º pastor mais rico do Brasil, com uma fortuna estimada em 150 milhões de dólares (cerca de 500 milhões de reais). Ele rebateu dizendo que seu patrimônio é de R$ 6 milhões, e que seu salário mensal gira em torno dos 100 mil reais.

Tadeu Ribeiro
[email protected]
As informações são do jornal O Globo.