Por que Eduardo Cunha está longe de ser referência para os evangélicos

Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é o atual presidente da Câmara dos Deputados, um dos cargos mais importantes do legislativo, pois está na linha sucessória da presidência da república, o que significa que em decorrência das ausências do presidente, vice-presidente e presidente do Senado Federal, ele assume a presidência do Brasil, ainda que por um espaço curto de tempo. Além disso, compete a ele colocar pautas para debate na Câmara, fazendo com que novas leis avancem e fiquem mais próximas de serem incluídas na legislação brasileira. E essas duas características citadas são apenas algumas das várias atribuições e responsabilidades que incube ao presidente da casa mais democrática do nosso sistema, pois é eleita pelo povo e representa os interesses do povo (O Senado Federal, por exemplo, representa os interesses dos Estados).

Evangélico, ao ser eleito presidente da Câmara no início desse ano, Eduardo Cunha de início foi apontado por muitos como o salvador da pátria. O simples fato dele ser evangélico ligado à Assembleia de Deus já parecia ser suficiente, naqueles dias, para torná-lo alguém digno e merecedor de total confiança. Porém, o que os brasileiros passaram a ver foi e é aterrorizante. Eduardo Cunha se mostra um ser que não respeita a Constituição Federal nem o regimento interno da Câmara. Tudo segue conforme seus desejos e caprichos: exemplo claro disso é a votação da maioridade penal, que por meio de uma “pedalada regimental” (expressão utilizada pela imprensa para definir dribles feitos ao regimento da Câmara para que propostas possam ser votadas), aprovou algo que havia sido rejeitado um dia antes, prática essa que é vedada pela Constituição Federal de 1988, nossa lei maior, que rege todo o sistema político, jurídico e estrutural brasileiro.

Para você que ainda pensa que não há porque se preocupar com Eduardo Cunha, trago abaixo apenas alguns escândalos os quais ele está envolvido: Entrou na política por meio de PC Farias, que na época era tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor de Melo, aquele que sofreu impeachment, lembram? Pois bem, ele foi presidente da Telerj, antiga companhia de telefonia do estado do Rio, e foi afastado do cargo após um enorme escândalo de corrupção deflagrado. Após isso ele tornou-se radialista na Rádio Melodia, que pertence à Igreja Sara Nossa Terra. Voltou à política em 1999 pelas mãos do também “evangélico” Anthony Garotinho, que também se envolveu em escândalos de corrupção. Garotinho o colocou na presidência da Companhia Estadual de Habitação, mas Cunha só ficou no cargo por 6 meses, devido a fraudes em licitações identificadas durante sua gestão (Cunha favoreceu a empresa de um amigo). O mais curioso é que sua demissão foi anunciada pela sua esposa, que era apresentadora e estava ancorando o RJTV da TV Globo naquele dia. Por que ele não foi condenado? Outra manobra: em 2001 ele se tornou deputado, já que era suplente e o titular precisou se ausentar do cargo. Como deputado, ele obteve imunidade parlamentar.

Escândalos mais recentes
Para que eu não seja visto como saudoso, trago Eduardo para o presente: ele foi citado na operação Lava Jato da Polícia Federal, que está investigando esquemas bilionários de corrupção na Petrobrás, a maior empresa brasileira. Segundo a Folha de S. Paulo publicou hoje (15), o doleiro Alberto Youssef disse à Justiça Federal que Cunha era o “destinatário final” de propina oriunda de aluguel de navios-sonda para a Petrobrás em 2006. Já um policial afastado, Jayme de Oliveira Filho, disse ter entregado malas de dinheiro em uma casa no Rio que seria de Eduardo.

Fora isso, Cunha rasga a Constituição Federal com seus atos à frente da Câmara. Como bem disse o deputado Silvio Costa (PSC-PE), “ele quer uma Constituição Federal e Constituição de Cunha”, pois se sente como se fosse o primeiro-ministro do Brasil.

E por quê eu devo me preocupar com isso?
Não é raro ver muitos cristãos iludidos com falsos profetas. O próprio Jesus disse que eles viriam, só não imaginaríamos que eles se infiltrariam inclusive na política. Os atos de Eduardo vão contra o que o evangelho nos ensina, e contra todos os princípios cristãos. Alguém que só visa poder, que está preocupado com seus próprios interesses, e que não liga a mínima para as reais necessidades do Brasil, não pode ser visto como um líder evangélico, nem como um referencial. A Igreja precisa abrir os olhos e parar de apoiar os lobos que se travestem de ovelhas para enganar aqueles que temem a Deus. E não pense que você não tem nada a ver com isso: daqui a pouco os seus interesses também serão afetados, e o meu desejo é que você não esteja na mesma situação de outros irmãos, que aplaudirão as derrotas da nossa nação.

Que Deus nos livre de pessoas inescrupulosas que regem os caminhos do Brasil, e que o Espírito Santo abra as mentes e traga luz e elucidação para o que está obscuro. Que Deus proteja o Brasil.

Tadeu Ribeiro
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