Em ato inédito, Papa Francisco pede perdão às vítimas de pedofilia no Chile: “Vergonha”

Durante seu discurso em La Moneda, recebido pela presidente do Chile, Michelle Bachelet, o papa Francisco assumiu em nome da Igreja Católica diversos crimes de pedofilia cometidos por padres chilenos, que abalaram o país e a confiança do povo na Igreja. O pontífice disse que sentia “dor e vergonha” por todos os casos, e reiterou que estava se esforçando para fazer com que a situação não seja repetida na história da instituição religiosa.

“Aqui não posso fazer menos do que exprimir a dor e a vergonha que sinto perante um dano irreparável causado a crianças por parte dos ministros da Igreja. Desejo unir-me aos meus irmãos no episcopado porque é justo pedir perdão e apoiar com todas as forças as vítimas, enquanto devemos nos empenhar para que isso não se repita”, disse o líder da Igreja Católica.

O clima é de tensão por lá. Desde que o papa chegou ao país, na segunda (15), para uma visita de 4 dias, diversos protestos tomaram conta da nação, devido a um escândalo que revelou a omissão e tentativa de um bispo católico de acobertar suspeitas de abusos sexuais cometidos por outro clérigo influente contra um menor. Cerca de 9 igrejas, até agora, foram atacadas pelos manifestantes, três na madrugada do dia em que o papa desembarcou em solo chileno. Além de reunir-se com bispos e padres, Francisco visitará um presídio feminino, uma aldeia indígena e outros grupos, na tentativa de levantar a imagem da Igreja Católica no país, que anda desacreditada após os escândalos sexuais revelados recentemente.

Tadeu Ribeiro
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